1. Você pode bater a rentabilidade da maioria dos fundos de investimento
“Larga de lorota, Fábio. Como é que eu, que trabalho 44 horas
semanais, cuido de criança, faço trabalho voluntário no fim de semana,
posso competir com fundos de investimento administrados por gestores
super competentes, que têm equipes inteiras de funcionários para
administrar seus fundos?”
Parece uma briga injusta. Você, o pequeno investidor, contra dezenas
de funcionários cujo trabalho é investir. Pessoas com MBA, treinamento
em gestão de investimentos, que sabem muito mais do que você ou eu. Mas
vou contar um outro segredinho pra você: segundo um estudo realizado nos
EUA, que eu li no livro The Motley Fool Investment Guide
(cuja leitura recomendo fortemente!), 80% dos fundos de investimento
naquele país não conseguiram superar o índice S&P 500. Ou seja, a
cada 10 fundos, apenas 2 conseguiram superar a média do mercado. Você
faria melhor que 80% dos fundos de investimento se apenas investisse seu
dinheiro num fundo de investimento que reproduzisse o Ibovespa. Os
gestores dos fundos de investimento e as equipes com que trabalham estão
fazendo um péssimo trabalho, concorda? Afinal, eles recebem justamente
para poder dar uma rentabilidade melhor para seus clientes do que o mero
investimento em um fundo que apenas reproduzisse um índice (como o
Ibovespa, por exemplo)! E esses caras são super bem remunerados, ganham
tubos de dinheiro pagos pelos seus clientes em polpudas taxas de
administração. Mundo injusto… receber tão bem pra fazer um trabalho tão
ruim!
2. Por que a maioria dos fundos de investimento apresentam uma performance pior do que a de muitos investidores individuais
Por que os fundos de investimento têm uma performance tão medíocre? E
por que você, caro leitor, pode almejar superá-los? Por um simples
motivo: você tem o tempo a seu favor e não tem que prestar satisfação a
ninguém. Você pode investir no que der na sua telha. Se você acha que
uma empresa que vale R$ 2.000.000,00 pode se tornar a próxima Vale, você
pode investir nela. Você pode definir o quanto quer investir em cada
empresa do seu portifólio, e pode deixar a rentabilidade do investimento
te deixar cada vez mais rico, sem ter que vender um percentual das
ações.
Os fundos de investimentos não tem essa liberdade toda. Boa parte dos
fundos não pode concentrar seus investimentos todos apenas nas empresas
que considera espetaculares, porque estabelece regras que o
autolimitam, por exemplo, estabelecendo um percentual máximo a ser
investido em cada ação. No máximo, cada ação poderia corresponder a um
percentual do patrimônio do fundo. Isso significa dizer que, se o preço
de uma ação disparar, o fundo vai ter que vender aquelas ações, pelo
único motivo de ter que seguir a regra do governo. Imagine um fundo que
investiu em ações da Vale em 1999, e que houvesse uma regra segundo a
qual o máximo do capital a ser comprometido por empresa é de 5%. Ou
seja, se o preço da Vale disparar, é bem provável que o percentual
investido na empresa aumente. Se o preço dela duplicou e o das demais
empresas permaneceu estável, isso significa que o percentual da Vale na
carteira do fundo fica próximo a 10%. Nessa situação, o fundo vai ter
que vender uma parte das ações, só pra seguir a regra que ele mesmo
estabeleceu. E deixou de aproveitar boa parte do crescimento do preço da
Vale entre 2003 e 2010…
Mas existem outras razões para um fundo de investimentos render
menos. Às vezes, o fundo acaba tendo que comprar ações de empresas menos
promissoras, só pra “diluir” o risco. Ao invés de se concentrar em
empresas lucrativas, acaba comprando umas âncoras que só irão afundar a
rentabilidade do fundo. Pior ainda, a depender do tamanho do fundo, ele
pode ser obrigado a investir majoritariamente em empresas grandes (as
famosas blue chips), cujo potencial de crescimento não é tão bom quanto o das small caps.
Imagine a situação de um fundo de investimentos que administrasse R$
500 bilhões. 5% desse patrimônio equivaleria a R$ 25 bilhões, 25 vezes o
valor de mercado da Saraiva (SLED4), por exemplo. Uma empresa como a
Saraiva não poderia ser comprada pelo fundo, segundo as regras
obedecidas: e, além disso, comprar ações da Saraiva não faria o menor
sentido, já que a rentabilidade obtida com ela, mesmo que o valor da
ação dobrasse, seria ínfimo: R$ 1 blhão se transformaria em R$ 2
bilhões, mas para um patrimônio de R$ 500 bilhões, isso é pouco menos de
0,4%. E o fundo teria que comprar TODAS as ações da empresa para obter
uma rentabilidade pífia. Não faria sentido.
Além disso, muitas vezes os fundos de ações acabam comprando as
empresas da moda só para não ter uma performance inferior à de seus
fundos concorrentes. Imagina, todo mundo comprando ações da Petrobras e
seu fundo não compra. Vai que as ações da empresa disparam e o fundo
perde o bonde! Então, para ficar com uma boa imagem, o fundo acaba
comprando ações da Petrobras. Só que, nem sempre elas são as melhores
opções de investimento para o longo prazo. Longo prazo que também é um
problema para o administrador de um fundo. Imagine que você tem um fundo
de ações e avaliou que as ações de uma empresa são uma excelente
oportunidade porque o preço está baixo e a empresa é fantástica.
Rentável, os lucros crescem constantemente a altas taxas, pouca dívida…
uma chance de ouro. Mas o mercado ainda não a percebeu. Você compra as
ações para o fundo e passam-se meses e anos sem que as cotações
disparem. Seu fundo começa a perder em rentabilidade da concorrência e
seus investidores, chateados com a situação, começam a vender suas
quotas. Dois anos depois, o mercado percebe a situação da empresa e a
cotação dispara. Mas você não pode se beneficiar da situação porque seu
fundo já fechou as portas.
É por isso que eu ou você, sardinhas nesse oceano de tubarões,
podemos nos sair bem melhor que a maioria dos fundos. Podemos comprar
ações de uma pequena empresa e deixar seus preços subirem o quanto
quisermos esperar, sem ter que obedecer a qualquer regra imposta pelo
governo. Só precisamos respeitar as regras que nós mesmos nos
impusermos. Podemos comprar ações de qualquer empresa, desde uma blue chip até a menor das small caps (ou até das micro caps).
E, principalmente, podemos comprar ações de empresas fantásticas e
esperar o quanto quisermos até o mercado acompanhar nosso raciocínio e
elevar o preço da cotação.
3. Outras vantagens de investir diretamente em ações, e não por meio de fundos de investimento
Sem contar as vantagens tributárias. Nós, pequenos investidores, temos uma isenção de Imposto de Renda
para a venda de ações até o limite de R$ 20.000 por mês. Ou seja, se
você tem R$ 15.000 em ações da Petrobras, pode vender esse montante e
não pagar um único centavo de imposto (desde que o montante de vendas de
outras ações, no mês, não ultrapasse o limite legal). Mas, se nós
resolvermos investir em um fundo, se vendermos 1 única quota do fundo
pagaremos imposto. Vendeu R$ 50,00, paga imposto. Ao longo do tempo,
essa vantagem tributária pode fazer verdadeiros milagres para seu
patrimônio.
E então? Está preparado para abandonar os fundos e decidir você mesmo seu futuro financeiro, investindo diretamente em ações?

